Tópico 2 Crianças com Doenças de Neurodesenvolvimento

No largo espetro da vulnerabilidade e necessidades das crianças, as doenças de neurodesenvolvimento (DND) também devem ser consideradas quando se fala de inclusão.

  • As DND são um área complexa e multifacetada que ainda não é pesquisada com profundidade.
  • Atravessam um espetro clínico largo e muitos sugerem que existem origens genéticas e hereditárias.
  • Muitas DND como a perturbação do espetro autístico (PEA) ou a perturbação do déficit de atenção e hiperatividade (PDAH) são apenas diagnosticadas através dos comportamentos.
  • Muitas destas DND coexistem, frequentemente, e partilham traços semelhantes (ex.: falta de atenção e um diagnóstico de PDAH são associados com déficits na comunicação e nas competências sociais), mas estes poderão demorar anos a serem diagnosticados pois demonstram sintomas semelhantes em áreas como uma comunicação social e competências de interação reduzidas, parecido com as disfunções sensoriais e motores, dificuldades a dormir e a comer, problemas de ligação afetiva e atenção.

Que dificuldades é que as crianças com este tipo de vulnerabilidade experienciam na escola e quais são as suas necessidades?

  • A escola raramente é um bom ambiente para uma criança no espetro do autismo, especialmente para aqueles que estão na zona severa do espetro.
  • Crianças com autismo tendem a passar uma grande parte do tempo a aprender a lidar com um ambiente que está, grande parte das vezes, desadequado às suas habilidades e desafios.
  • Depois de construírem essas competências, as crianças devem abandonar esse ambiente para irem para outra situação completamente diferente quando passam de ano ou crescem.

Alguns dos domínios que as crianças enfrentam com dificuldade são:

Muitas facetas da vida diária da escola – campainhas, luzes fluorescentes, crianças a falar alto, o eco do ginásio – são insuportáveis até mesmo para as crianças sem autismo. Para crianças no espetro do autismo, os estímulos sensoriais podem ser insuportáveis, podem provocar extrema ansiedade e disputar comportamentos autistas.

Os testes-padrão requerem que mesmo que as crianças mais novas compreendam e respondam à linguagem escrita e verbal a um nível e velocidade esperada. Crianças com autismo estão, muitas vezes, em desvantagem durante um teste padrão, pois a compreensão e expressão verbal apresentam grandes desafios – particularmente quando se fala de linguagem expressiva e figurativa.

a capacidade de planear e executar projetos que implicam vários passos ao mesmo tempo que são considerados parâmetros, cronogramas e outros fatores. Para os alunos, isto representa a capacidade de gerir os trabalhos de casa, os trabalhos escolares, a preparação para os exames e o planeamento de eventos, para além de todos os outros elementos. O funcionamento executivo, grande parte das vezes, pode ser desafiante para as crianças que estão no espetro do autismo (e, por consequência, os adultos) que estão geralmente desconfortáveis em alternar entre atividades.

essenciais para escrever, desenhar, cortar, colar e manipular pequenos objetos como lâminas microscópicas e pinças. A atividade motora é usada para saltar, chutar, arremessar, correr e dançar. Estas competências são essenciais para corresponder às necessidades do ensino básico e secundário. Um impedimento médio ou grande destas competências são comuns em grande parte das crianças com autismo. Qualquer limitação pode, não só afetar os feitos académicos, como também a vida escolar. 

crianças no espetro do autismo demonstram dificuldades na comunicação social. Por vezes, estas dificuldades são óbvias e severas. Mesmo que não sejam grandes impedimentos e que a criança seja altamente funcional, estas interações podem ser desafiantes. As dicas sociais que dizem à criança quando alterar o comportamento social são difíceis de perceber. A dificuldade em descodificar estas pistas sociais é o que muitas vezes impede as crianças de discernir uma provocação brincalhona de bullying ou uma sugestão de sarcasmo de uma declaração de facto. Devido à natureza em constante evolução das interacções sociais (que mudam a cada ano letivo), uma criança com autismo pode ficar socialmente isolada ou ser vista como introvertida se não participar.

As mudanças no contexto da turma podem ser confusas para uma criança com autismo. As mudanças estendem-se não só à sala de aula, mas também aos colegas. As crianças com autismo têm muitas vezes uma enorme dificuldade em reconhecer e adaptar-se a estas mudanças. Isto deixa-as vulneráveis ao ridículo e à censura por parte daqueles que não reconhecem as limitações da criança.

As crianças com autismo prosperam com a rotina e estrutura. As mudanças rápidas e os ajustamentos são um desafio para muitas crianças, mas estas mudanças podem ser ainda mais perturbadoras para as crianças com autismo, tornando difícil para estas lidar ou ajustar-se “a pedido”.

  • Crianças com DNDs e outras doenças têm o fardo extra de necessitar de sair da sala – por norma no meio de uma aula – para ir a sessões de terapia, grupos de competências sociais e outros programas feitos para os ajudar a lidar com as experiências que não têm.
  • As relações entre alunos e professores são de extrema importância. A investigação emergente mostra que, especialmente nos primeiros anos de escolaridade, a transição para o ensino precoce é um marco crucial para todas as crianças, o que pode ser particularmente difícil para as crianças com PEA. A qualidade da relação professor-aluno (RPA) é vista como crucial para resultados académicos positivos e um forte preditor de comportamentos a longo prazo (Bolourian et al., 2019). O objetivo para uma criança com DNDs/Perturbação do Espetro do Autismo é melhorar a atitude de reciprocidade e cooperação enquanto o seu egocentrismo é reduzido.
Fonte: https://www.uml.edu/Images/autism-little-boy-smiling-speech-therapist-letter-a-square-1400-opt_tcm18-266916.jpg

Atividade 2: “Um dia na escola”